Representantes da Coordenadoria de Controle de Doenças (CCD) do Governo do Estado de São Paulo estiveram em Araras nesta quinta-feira (24), para realizar novas avaliações acarológicas (procedimento técnico para monitorar e controlar infestações de carrapatos). O órgão estadual seguirá com os trabalhos na cidade até esta sexta-feira (25).
A iniciativa é preventiva e consiste na montagem de armadilhas com gelo seco nos locais onde há a suspeita da presença de carrapatos, responsável pela transmissão da febre maculosa (a doença do carrapato), com o objetivo de enganá-los e atraí-los. O material atua como o gás carbônico, que é o que atrai o aracnídeo para perto das pessoas. Em seguida é colocado um pano branco na mesma área, que ajuda a enxergá-los mais facilmente.
Caso sejam encontrados carrapatos nas armadilhas, a Vigilância Epidemiológica, vinculada à da Secretaria Municipal da Saúde, faz a identificação da espécie e toma outras medidas preventivas, como a sinalização da área, por exemplo.
O órgão estadual já havia feito uma visita à cidade no mês de fevereiro, realizando a avaliação em diferentes áreas da cidade.
Febre maculosa em Araras
Em 2026, a cidade registra quatro óbitos por conta da doença, sendo duas crianças de 8 e 9 anos em janeiro, uma mulher de 52 anos em agosto, e, uma mulher de 49 anos, confirmada nesta quinta-feira (24) pela Secretaria Municipal da Saúde.
“A vítima recebeu atendimento no Hospital Pró Saúde, sendo transferida para a UPA e, posteriormente à Santa Casa. Os sintomas estavam bem avançados e, infelizmente, evoluiu para óbito no dia 13 de setembro de 2026”, explicou Tavane Anselmo Malaguese, enfermeira do Setor de Vigilância em Saúde.
Como parte das investigações, as equipes de Zoonoses e da Vigilância Epidemiológica seguem em contato com a família para identificar os locais que ela frequentava e a necessidade de realizar uma avaliação acarológica em alguma nova área da cidade.
Desde o início do ano a Prefeitura tem intensificado o trabalho de combate e prevenção à doença.
Também foi iniciada uma força-tarefa que reforçou a roçagem e pulverização do mato alto, sob responsabilidade do Serviços Públicos; houve apreensão de animais soltos e de grande porte, pelo Meio Ambiente; aplicação de multa e notificação de terrenos com mato alto, por parte da Fiscalização Urbana; e instalação de placas de alerta da presença de carrapatos, pela Saúde.
Principais sintomas
Os principais sintomas da febre maculosa são: febre, dor de cabeça, náuseas e vômitos, diarreia, dor abdominal, muscular e inchaço e/ou vermelhidão nas palmas da mão e na sola dos pés. Eles tendem a aparecer entre dois e 14 dias após a infecção. A pessoa que suspeitar da doença deve procurar, de forma rápida, atendimento médico.
A febre maculosa é uma doença infecciosa transmitida pela bactéria Rickettsia que contamina carrapatos. É importante ressaltar que a bactéria não passa para o sangue no momento da picada. É necessário que o aracnídeo fique aderido ao corpo por pelo menos 4 horas, para uma possível transmissão.
A doença pode ser transmitida em qualquer um dos ciclos de vida do carrapato, sendo o micuim, fase larval do carrapato (predominante entre março e junho), a ninfa, fase jovem do aracnídeo (predominante entre julho e outubro) e o carrapato-estrela em sua fase adulta (predominante entre novembro e fevereiro).
“Os locais mais propícios para infecção são áreas de mata, locais úmidos, trilhas e áreas com acúmulos de folhas secas e gravetos, devendo ser evitados. Caso seja necessário estar nestes ambientes, é recomendada a utilização de botas, calças e blusas com manga longa, todos de cores claras”, completou Tavane.
Secom / PMA